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PASSARAM...

pessoas, poetas e amantes da cultura.

FELIPE JÚNIOR

FELIPE JÚNIOR

BIOGRAFIA

FELIPE JÚNIOR
é poeta cordelista e declamador nascido em Patos-PB e criado no Berço Imortal da Poesia, São José do Egito-PE. É, atualmente, Diretor Executivo da União dos Cordelistas de Pernambuco - UNICORDEL e Vice-Presidente da União Brasileira dos Escritores - UBE/PE. Formando em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco, redide em Recife-PE e atua como professor em vários colégios. Além do seu trabalho, promove recitais, debates, palestras e oficinas sobre a poesia popular e a Literatura de Cordel nas escolas.
Visualizar meu perfil completo

CONTATOS

Show Stand-Up "Estandi-Upi de Poesia Matuta", encomendas de cordéis, recitais, palestras, oficinas nas escolas, sugestões e críticas:

(81) 9689-3445; 9262-5196
(87) 9619-1838

E-mail: poetafelipejunior@gmail.com


COLUNISTAS

ISMAEL GAIÃO

ALLAN SALES

POETA FELIPE JÚNIOR

RONALDO MONTE

LUCIANO SIQUEIRA


A VEZ DO POETA

Poesia virtual: Felipe Júnior e Daudeth Bandeira


Daudeth Bandeira:

O ID busca o prazer
O EGO a realização,
O SUPEREGO, os valores
De socialização;
A fonte do sentimento,
Do medo e da punição!!

Felipe Júnior:

Grande Daudeth Bandeira
Concordo com a poesia.
O SUPEREGO é também
Um EGO a mais de magia
Tudo resquícios e marcas
Que o ID deixou um dia.

Daudeth :

O ego bem não confia
naquilo que o id quer,
controla as pulsões do id,
se esforça o quanto puder,
porém os dois só decidem
se o superego quiser!

Felipe:

Se um dia o ID vier
Dizer pro EGO: “És eu!”
Este dirá: “Caro amigo,
Você passou... se perdeu.
Tu és a reminiscência
Que todo mundo viveu”.


PARCEIROS

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CIDA PEDROSA

O CAMINHO DA FACA


parte em arco
rumo ao corpo amado
flecha a fera, exposta
à chaga

cruza a dor, o sonho
escuta

zunindo a lâmina
flamejante alcança
artérias e vasos
aquedutos pontes

parte em seta
rumo ao corpo amado
serena ira, ao amor
alcança

desdobra a carne
desnuda a veia
instala certeira
a eternidade

pára qual âncora
dentro do corpo amado
ferina flor, ao corpo
planta



MALUNGO

CARROCEIRO TRANSCENDENTAL

Lá em Peixinhos,
a arte mora na favela.
As bandas, o lixo no Beberibe:
é o Groove suburbano!
Goiamuns plugados
se esbarram nas vielas.
Todas as orelhas do mundo
viradas pra Recife.
Só aqui, não se ouve
o novo som pernambucano.

A luz do sol se reflete
nas águas sujas do rio
(nos zincos dos barracões).
Urubus dão rasantes
nas montanhas de lixo.
Nas carroças, ferro velho,
tralhas e papelões.
Carne de rato,
pés sujos nos telhados
da consciência.
Mocambos, almas encardidas
e balas perdidas sem clemência.

Geladeiras incandescentes
iluminam a tua cozinha.
Paredes transparentes
revelam as terceiras intenções.
Coloque o plugue e peça linha.
Viaje chutado; num burro sem rabo
rumo a outras dimensões.


BRUNO BEZERRA

PRAIA DO SANCHO...
(verso do amor eterno)



O mais harmônico dos encontros
É neste lugar que se dá
Sob a festa caliente do sol
Ou o desvelo do luar.
Aquarela-se eternamente
Uma faixa branca de areia
Com o inesquecível verde-azul do mar...



MADALENA CASTRO

NA FILA DO BANCO

Certa vez eu fui ao banco
Tinha uma fila danada
Por incrível que pareça
Eu não me senti cansada
Pois muita gente era alegre
E contava coisa engraçada

Bem ali rtã minha frente
Uma moçá'no chão sentou
A outra que estava ao lado
Também lhe acompanhou
E um história comprida
Nesta hora começou

"Menina eu vou te contar
O que me aconteceu
Arrumei um home bom'
Depois que José morreu
Mas quatro meses depois
O cara se escafedeu

Já me dissero que viro
Ele cum outra mulé
Com um shortinho de coto
E uma havaiana no pé
Tão feia de fazer dó
Parece que é da ralé

Vou me informar direitinho
Onde eles foram morar
Puxo ela pelos cabelos
Vou dá-lhe um pau de lascar
Depois agarro meu home
Nem dexo ele se explicar"

Mas adiante um rapaz
Contava a sua aventura
Dizendo: Amigo estou bem
Estou com uma criatura
Que jurou me sustentar
Pois é rica e tem cultura"

O outro então respondeu:
Amigo tenha cuidado!
Pois vida de gigolô
Nunca tem bom resultado
Quando ela encontra um mais jovem
Você é logo trocado

Mas quando isso acontecer
Já terei aproveitado
O que ela me oferecer
Aceitarei de bom grado
Mas meu gordo pé de meia
Já estará bem guardado"

E haja papo daqui
E haja papo de lá
E a fila quilométrica
Nada de se acabar
Quando de repente ouvi
Outra história começar

"Depois que fiquei viúva
Meu filho veio pra cá
Desempregado e com filho
Bebendo pra se daná
O pió foi que descobri
Que ele deu pra roubar

"E cadê a Mulher dele ?"
A amiga perguntou.
Disseram que a maldita
Muita gaia lhe botou
Com um velho caminhoneiro
Que pra longe a levou"

Lá à fila dos idosos
Uma senhora chegou
Pediu pra ficar na frente
Porém ninguém concordou
Ela disse: estou bem doente
Pensem nisso por favor...

Houve um grande falatório
Um cidadão se alterou
Dizendo; "eu também sou velho
E doente também estou
Se você ficar na frente
Eu juro que também vou"

A senhora bem tranqüila
Muito educada falou
"não precisa confusão
Fiquem calmos, por favor
Que eu já estou indo pra fila
Não está aqui quem falou"

Pra encurtar a história
Pra confusão aumentar
O gerente muito calmo
Se propôs a anunciar
Que neste exato momento
O sistema saiu do ar

Aí todos se agitaram
Muitos sentaram no chão
Um homem falou pra mim
Com uma cansada feição
É isso que acontece
Com o pobre nesta nação.

Um boy falou: isso é nada
Já estou acostumado
Quando eu sair deste banco
Noutro o lugar tá guardado
E quando eu sair de lá
O dia tem terminado

Com o Salário que ganho
Não devo me apressar
Quem corre cansa, amigo
E eu não quero me cansar
E aqui é tão divertido
Nem vejo o tempo passar"

Depois de 15 minutos
O sistema então voltou
Novamente a longa fila
Aos poucos se arrumou
Depois de quase duas horas
Foi que minha vez chegou

Assim que fui atendida
Eu saí dali pensando
No jeito que aquela gente
Suas histórias iam contando
Sem tomar nenhum cuidado
Com quem estava escutando

Não foram somente essas
As histórias que escutei
Daquela gente humilde
Nas horas que ali passei
Apenas só foram, essas
As que mais me interessei

Se observar os que contam
As histórias engraçadas
Você vê que são pessoas
Alegres, bem humoradas
Capazes até de fazerem
Sisudos darem risadas

Imaginem como seria
O tédio de se ficar
Esperando numa fila
Sem ter onde se sentar
Sem ouvir um comentário
Ou uma história popular.


CRÔNICAS (1)

MAL-ENTENDIDO

Kika Coutinho

O ambiente é que não era propício para a conversa. Eu culpo o ambiente.

Estávamos na aula de hidroginástica. Música de fundo, na água, e um professor que gritava:

— Vamos lá, pessoal! Subindo esse joelho, abrindo os braços, força!

Não era para termos começado um diálogo, mas quem começou foi ela, então isso também está a meu favor.

— Nossa, estou superdolorida da depilação.

Ops, aí toda a confusão se deu. Eu ouvi a senhora de touca cinza dizer isso. Que estava dolorida da depilação. Achei um bocado estranho o comentário, e precisei de uma aula inteira para notar que ela tinha dito outra coisa. A frase correta era: “Nossa, estou toda dolorida da musculação”. Pois bem. Com a água, a música e os berros do professor, eu entendi depilação e prossegui a conversa assim:

— Puxa, é mesmo, que chato, né?

— Ai menina, fiz ontem, e tá doendo horrores.

Nossa, ela fez depilação ontem e ainda tá doendo. Deve ter ido em um fundo de quintal, cruzes. Perguntei:

— Você fez onde?

— Aqui mesmo — ela informou, me apontando a sala de musculação da academia.

Fiquei surpresa. Na academia agora faziam depilação, e deviam usar uma cera vagabunda ainda por cima. Aão os tempos da Kaliuga, viu?

— Aqui? Aqui faz?

— Você não sabia? Faz e é ótimo!

Ai tadinha, o conceito de depilação ótimo dela tava bem ruim.

— Sei...

— Você devia fazer uma vez. Ia gostar.

Qual era agora? Ela tava me achando peluda? Olhei de soslaio pra minha axila. Mas eu fiz definitiva, como a mulher tá me sugerindo que preciso depilar?

— Vamos lá pessoal empurra a água com força, chuta, chuta, chuta.

— Você faz sempre? — perguntei já com raiva.

— Três vezes por semana.

— Três vezes? — tomei um susto! Como alguém faz depilação três vezes por semana, Jesus? Ai, ela deve ter alguma disfunção hormonal, coitada. Eu já fui até me afastando daquela senhora, achando que os pêlos iam crescer ali mesmo, na piscina. Por isso ela tava sugerindo pra eu fazer, claro.

— Ah, mas precisa. Principalmente por causa do braço — ela apontou para o próprio braço, naquele pedaço meio muchibento, e eu já imaginei a axila a la Tony Ramos que ela devia ter, não quis nem olhar direito.

— Braço, perna e virilha, né? — respondi, erguendo o joelho na água.

— Vamos lá pessoal, força no joelho, correndo na água, força, não perde o ritma, tá acabando!

— Virilha?! — dessa vez foi ela que se assustou. Ai, meus sais! A bicha depila 3 vezes por semana e agora vem me dizer que nunca fez uma virilha cavada?

— É, virilha. Nunca fez, não?

— Não — ela disse, meio sem graça. — É bom, é?

— Nossa, é ótimo. Devia experimentar — ela se empolgou com a minha resposta e chegou mais perto, perguntando em tom de segredo:

— Mas faz alguma diferença, assim, na hora H?

— Ah, claaaaro —– eu me fiz de entendida. — Faz sim! Fica bem melhor, vai por mim!

A senhora ficou com as bochechas rosadas, mas sorridente. Opa, dei um upgrade no casamento, pensei, me achando um pouco.

A aula está acabando:

— Vamos lá, pessoal, esticando bem o braço, espreguiça e soooolta. Muito bom, obrigada, até quinta.

Palmas na piscina...

Eu já ia saindo da água, quando ela falou:

— Vou falar hoje mesmo com o meu professor.

— Como? — perguntei, sem entender qual era o tema agora.

Ela, com um sorrisinho alegre, me explicou:

— Vou falar hoje mesmo com o professor, aqui da academia, sobre essa tal musculação na virilha. Não vou perder essa não.

A senhorinha ainda me deu uma piscadela, se embrulhando na toalha e saindo, toda serelepe em busca da grande novidade que eu lhe informara, tão inocentemente.

A culpa era do barulho, claro...



LANÇAMENTO DO DVD DE IRAH CALDEIRA

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O BLOG É NOTÍCIA

CORDEL É MOTE DE CONCURSO CULTURAL

pe360graus.com lança concurso cultural Leitura Abre Portas

Incentivar a leitura e o interesse pela cultura pernambucana entre as crianças e jovens. Esse é o objetivo principal do concurso cultural Leitura abre portas, promovido pelo portal pe360graus e pela Globo Nordeste, com apoio da Secretaria de Educação do Governo do Estado de Pernambuco.

O concurso é simples. Para participar, basta deixar sua imaginação tomar conta e preparar um texto com o tema Leitura abre portas e cadastrar no site www.pe360graus.com/leitura. A história deve ser escrita no estilo da literatura de cordel. A participação é exclusiva para os jovens leitores de até 17 anos. O autor do melhor cordel ganha um notebook e a oportunidade de ter a sua história em um comercial da TV Globo Nordeste.

O site oferece várias ferramentas para o autor personalizar o cordel do seu jeito, trocando as cores e os desenhos que vão compor a capa do seu livreto. Depois do cadastro, os textos são moderados por uma comissão e, por fim, são publicados no site, num grande varal virtual e colaborativo, onde todo mundo poderá ler os cordéis publicados.

O último dia para cadastro dos textos é 17 de novembro. Então não perca tempo, escreva um cordel bem bonito e interessante e publique no site. E se você conhece alguém que goste de leitura, divulgue o endereço do site e convide para participar!



Andar pelas ruas do Recife virou um tormento. Pelo "simples" fato da quantidade de buracos espalhados por todos os lados e, também, pelo fato da quantidade absurda de lixo. É quase impossível você andar em paz... não pela violência, mas pelos famosos BURACOS!

Esmeraldina Barreto da Silva, Casa Forte-Recife/PE




Att.
O Boca no Trombone é um canal aberto ao público e não retrata, necessariamente, a opinião do blog.



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      • AQUI E ACOLÁ - A Fala do Editor
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      • CONVITE
      • PROJETO EDUCANDO EM CORDEL
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      • PUBLIQUE SEU CORDEL!
      • É AMANHÃ, 30/10, RECITAL NA UBE
      • POETA FELIPE JÚNIOR
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      • PUBLIQUE SEU CORDEL!
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    • ► Abril (6)

ESQUINA DO VERSO

NEM O SATANÁS AGUENTA PASSAR UM MÊS SEM AMOR


Vou dar por iniciado
Contando uma história quente...
É desses causos que a mente
Sempre faz ser relembrado.
Um dia fui convidado
A uma igreja do Senhor
Pra conversar com o pastor
Sobre a diabo que me atenta,
Pois nem satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

No amor nunca tive sorte...
Maria, minha muié,
Não me faz mais cafuné
E ainda diz: “prefiro a morte...”
Deixou de ser do Sport
Pra torcer pro Tricolor
E ainda mais faz favor
De dormir toda sebenta.
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Contei pro pastor o mal
Que acontece em minha vida.
Disse ele: “não tá perdida...
Vá na Igreja Universal...
Na quarta-feira, ao final
Do culto arrebatador,
Eu chamo pelo senhor
Aí o senhor se apresenta.”
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Eu conversei com Maria
Pra me acompanhar no culto
Ela tomou por insulto...
Só vendo minha agonia.
Será, meu Deus, todo dia
Que o fato é repetidor?
A muié não quer calor...
Na cama não se apascenta...
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Minhas mãos já calejadas
De tanto sofrer assim
E aquela danada ruim
Não sabe das depenadas.
As coisas desesperadas
Chegam até sentir dor...
Peço até pro Salvador:
“Me arrume qualquer jumenta...”
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Mas fui lá pro culto orar
Pra ver se Maria quer:
“Que seja a minha muié...
Que ela saiba me adorar...”
Ao terminar de rezar
Veio dizendo o pastor:
“É o encosto cobrador
E só sai se dar cinqüenta”
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Dei mil e cinqüenta conto
Chega o pastor se benzeu...
Começaram a rezar neu
Depois disseram: “Tá pronto...”
Me vali de todo santo
E agradeci ao pastor....
Maria, mimosa flor,
Tu hoje me experimenta!
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Não dava mais pra agüentar
Meu casamento era lama.
Quando eu dormia na cama
Ela ia pro sofá.
Aí era de lascá!
Chega eu mudava de cor,
Mas pra ser um vencedor
Hoje eu lasco essa rixenta.
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Em casa quando cheguei
Maria disse: “Meu homi,
Meu gostoso tá cum fome?”
Chega eu num acreditei.
Peguei Maria, abracei,
Dei um beijo encantador,
Chega saiu um odor
De um leve gosto de menta.
Nem o satanás agüenta
Passar um mês sem amor.

Mas tudo foi falsidade
O beijo, o abraço apertado,
Pra mim foi o resultado
Zero a zero na maldade.
Sabe qual foi a verdade?
O meu anjo sedutor
Fugiu com aquele pastor
Levando os mil e cinqüenta
E me fez essa nojenta
Ficar um mês sem amor.

Poeta Felipe Júnior

- Adquira este cordel no Canto Sertanejo (Mercado da Madalena) ou no Shopping Boa Vista (Cantinho Cultural).


DESTAQUES

HISTÓRIA DO CORDEL

SEU LUNGA

A REGIÃO NORDESTE


JOSÉ EVANGELISTA

A DISCUSSÃO DE ROBERTO CARLOS E LAMPIÃO

Leitores eu estava ausente
Agora aqui cheguei
E para o povo amigo
Outra estória bolei
E com imenso valor
Neste caderno tracei

Embora pouca gente saiba
Mas não é mentira não
A discussão que se deu
Com Roberto e Lampião
São dois homens conhecidos
Dessa nossa geração

Estava Lampião hospedado
Na fazenda Potiguar
E com um determinado tempo
O prefeito do lugar
Convidou Roberto Carlos
Pra um show apresentar

Lampião sabendo da notícia
Foi ligeiro esperar
O cantor Roberto Carlos
Afamado no lugar
Que a convite do prefeito
Viria para cantar

Quando foi chegando
No meio da multidão
Virgulino disse abram
Que chegou o Lampião
Quero falar com Roberto
Para uma discussão

Roberto um pouco medroso
Olhou calmo e sorriu
Viu toda cabroeira
Armados de fuzil
Pois baixou a cabeça
E fingiu que nada viu

Estava Lampião bem vestido
A sanfona de lado
E toda cabroeira
Todos tocando xaxado
Roberto disse é hoje
Entrei numa errada

Lampião disse você
Não é bom compositor
Está fazendo música
Que não tem nenhum valor
Pense na juventude
Que só fala de amor

Foi aí que teve início
Uma grande discussão
Do cantor Roberto Carlos
Com o heroi Lampião
Que teve seu nome escrito
Nas cidades do Sertão

Roberto disse você
É o terror do sertão
O povo do mundo bôbo
Lhe chama de Lampião
Eu sou o negro gato
Não gosto de claridão

Lampião disse sujeito
Vou mostrar como se faz
Sou respeitado no mundo
Até pelo satanás
Não respeito delegado
Tenente nem capataz

Luiz Gonzaga chegou
O nosso Rei do Baião
E foi chegando muita gente
Para ver a discussão
Do cantor Roberto Carlos
Com o bravo Lampião

Roberto disse bem calmo
Essa vida é assim
Sua conversa boba
Não é papo para mim
Se conversar muito
Hoje mesmo dou-lhe fim

Corisco nesse momento
Pensou em enforecer
Lampião disse compadre
Não precisa se mexer
Que cabra igual a esse
Pra ele não vou perder

Erasmo Carlos chegou
E perguntou o que há?
Lampião disse cachorro
Reconheça seu lugar
Desapareça imediatamente
Se não vai me apanhar

Chegou o Trio Nordestino
E também Maurído Reis
Cauby Peixoto e Diana
Waldick e Wanderley
Todos acharam bonito
O Lampião nosso rei

Roberto Carlos falou
Discutir não dar certo
Vou mostrar para vocês
Que sou mais o "Roberto"
Vou cantar uma canção
Quero ouça de perto

Roberto Carlos pegou
No seu belo violão
Disse Lampião prepare-se
Pra ouvir minha canção
Você é rei do xaxado
E eu dessa geração

Lampião então falou
Vamos ouvir sua canção
Se você cantar bonito
Vai ganhar muito milhão
Se não cantar direito
Vai.entrar no cinturão

A mulher de Lampião
A Maria Bonita
Disse esse camarada
Hoje não me faz fita
Se não cantar direito
Vai entrar na tabica

Roberto Carlos cantou
"Ana" e "Pega Ladrão"
Virgulino disse estas músicas
Abalou meu coração
Eu estou já chorando
No meio da multidão

Candeeiro e Andorinha
Aplaudiram as canções
E disseram esse cara canta
De cortar o coração
Reconheça o valor dele
Meu prezado capitão

Roberto Carlos canta
"Eu te darei o céu"
Lampião disse me lembro
Da Fazenda Cascavel
Quando eu estava com
Maria passando a lua de mel

Lampião disse Roberto
És cantor de primeira
Pois agora eu canto
Nossa Mulher Rendeira
Essa é uma prova
De uma brincadeira

O povo achando bom
Tinha muita pessoa
Uns de boca aberta
E outros rindo à toa
Os matutos disseram
Quero que páia avoa

Roberto Carlos continuou
Cantando seus sucessos
Lampião disse isso aí
Conheço os de perto
Reconheço seu valor
Camarada Roberto

Pra você eu digo o mesmo
Meu amigo Lampião
Reconheço seu valor
Do Nordeste ao sertão
Agora posso tranquilizar
O meu pobre coração

Aí, eles conversaram
Dos problemas atuais
Da poluição e da guerra
Coisas que não voltam mais
Lampião disse Roberto
Não gosto do satanás

Os dois se abraçaram
E começaram cantar
Roberto Carlos cantou
O show já vai terminar
Quisera que os leitores
Pudessem estar por lá

Lampião disse agora
Para eu finalizar
Canto o meu xaxado
E depois vou me mandar
Desculpe-me seu Roberto
Se vim lhe incomodar

R. Carlos disse: "Lampião
Queria lhe conhecer"
Mas por sorte do destino
Aqui fui comparecer
E você teve a ideia
De vim de perto me ver!

Eu contei esse fato
Sem nenhuma timidez
Foi uma simples estória
Conto era uma vez
Transformei em prosa
E escrevi pra vocês.


IVAN MARINHO

BARROQUILHAS*


Nas madrugadas insones
Sinto o tropel de chegada,
Sem ordem, desarrumadas,
De palavras, letras, nomes.

Balançam, saltam, deslocam
Sem ritmo ou direção
E da inquietação
Algo parece que evocam.

Todas de tanto maduras
Encontram-se a se encaixar,
Como que a despertar
Do sonho que se inaugura.

Então se cruza o ensejo
Com o anseio ancestral,
Nivelando ao animal
O instintivo desejo.

E preterindo o futuro,
Faz da noite a luz do dia
E a esfera, por magia,
Amolece o papel duro.

Pois o papel do poeta
É deixar claro o escuro

*Primeiro lugar no Festival Jaci Bezerra de Poesia,
do Centro de Estudos Superiores de Maceió


CRÔNICAS (2)

QUEM MANDA SER ROMÂNTICA?

Felipe Peixoto Braga Netto

Se você ainda chora ou pelo menos se comove com certas canções, se você ainda olha, com carinho, para coisas obsoletas como a lua cheia, se você, ao conhecer certos locais incríveis, ainda pensa que irá lá um dia com seu amor, sinto muito, mas eu devo avisar: você está no século errado.

Século errado?! É, século errado. Peça o seu de volta, acho que se enganaram. Você é romântica, isso não se faz mais. Ninguém entende, é como falar chinês no Mineirão, vão olhar para você com perplexidade, talvez com pena.

Os séculos, minha amiga, mudam de idéia, mudam de roupa. O romantismo é uma roupa que não cabe mais. Fica apertada, a perna aparece, ou então fica lamentavelmente larga, grande, excessiva. Aliás, faz tempo que é assim.

Lamartine Babo, compositor que trouxe a música brasileira de volta ao caminho da simplicidade, era um romântico incorrigível. Depois de receber cartas inteligentes e bem escritas de uma jovem de Boa Esperança chamada Vera, tomou um ônibus para ir conhecê-la, embora ela tenha dito que o encontro pessoal não seria possível. Chegando na cidade, ninguém quis dizer nada sobre a identidade da garota, embora todos rissem misteriosamente ao desconversar. Disposto a desvendar o segredo, Lamartine se dispôs a conversar com a menos sedutora das moças presentes. Ela, então, revelou-lhe o segredo: a inteligente autora das cartas, por quem Lamartine estava apaixonado, era o irmão dela, professor de Latim.

Pior: toda a cidade sabia do caso, e se divertia às custas dele. O tal professor chegava a ler em público, no clube da cidade, as respostas enternecidas de Lamartine. Nem por isso o genial compositor perdeu o bom humor, censurando-se apenas: "Bem feito, Lamartine! Quem mandou ser romântico?"

O melhor é ser duro, seco, impassível. Nem faça cara feia, leitora, a culpa não é minha, é do século. Faça como aquele colunista sentimental do jornal. Conhece a história? Foi assim. Uma mulher, desesperada porque encontrou o marido com outra, escreveu para a coluna sentimental do jornal. O problema é que a coluna era escrita por um homem. Ela escreveu dizendo: "Pelo amor de Deus, me ajude! Estava indo para o trabalho quando meu carro, sem nenhum motivo, deixou de funcionar. Peguei um táxi e voltei para casa. Encontrei, perplexa, meu marido na nossa cama com uma aluna dele, de vinte anos. Por favor, me ajude!"

Resposta do colunista: "Deve ter sido falta de combustível ou a injeção eletrônica. Procure um mecânico."