é poeta cordelista e declamador nascido em Patos-PB e criado no Berço Imortal da Poesia, São José do Egito-PE. É, atualmente, Diretor Executivo da União dos Cordelistas de Pernambuco - UNICORDEL e Vice-Presidente da União Brasileira dos Escritores - UBE/PE. Formando em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco, redide em Recife-PE e atua como professor em vários colégios. Além do seu trabalho, promove recitais, debates, palestras e oficinas sobre a poesia popular e a Literatura de Cordel nas escolas.
parte em arco rumo ao corpo amado flecha a fera, exposta à chaga
cruza a dor, o sonho escuta
zunindo a lâmina flamejante alcança artérias e vasos aquedutos pontes
parte em seta rumo ao corpo amado serena ira, ao amor alcança
desdobra a carne desnuda a veia instala certeira a eternidade
pára qual âncora dentro do corpo amado ferina flor, ao corpo planta
MALUNGO
CARROCEIRO TRANSCENDENTAL
Lá em Peixinhos, a arte mora na favela. As bandas, o lixo no Beberibe: é o Groove suburbano! Goiamuns plugados se esbarram nas vielas. Todas as orelhas do mundo viradas pra Recife. Só aqui, não se ouve o novo som pernambucano.
A luz do sol se reflete nas águas sujas do rio (nos zincos dos barracões). Urubus dão rasantes nas montanhas de lixo. Nas carroças, ferro velho, tralhas e papelões. Carne de rato, pés sujos nos telhados da consciência. Mocambos, almas encardidas e balas perdidas sem clemência.
Geladeiras incandescentes iluminam a tua cozinha. Paredes transparentes revelam as terceiras intenções. Coloque o plugue e peça linha. Viaje chutado; num burro sem rabo rumo a outras dimensões.
BRUNO BEZERRA
PRAIA DO SANCHO... (verso do amor eterno)
O mais harmônico dos encontros É neste lugar que se dá Sob a festa caliente do sol Ou o desvelo do luar. Aquarela-se eternamente Uma faixa branca de areia Com o inesquecível verde-azul do mar...
MADALENA CASTRO
NA FILA DO BANCO
Certa vez eu fui ao banco Tinha uma fila danada Por incrível que pareça Eu não me senti cansada Pois muita gente era alegre E contava coisa engraçada
Bem ali rtã minha frente Uma moçá'no chão sentou A outra que estava ao lado Também lhe acompanhou E um história comprida Nesta hora começou
"Menina eu vou te contar O que me aconteceu Arrumei um home bom' Depois que José morreu Mas quatro meses depois O cara se escafedeu
Já me dissero que viro Ele cum outra mulé Com um shortinho de coto E uma havaiana no pé Tão feia de fazer dó Parece que é da ralé
Vou me informar direitinho Onde eles foram morar Puxo ela pelos cabelos Vou dá-lhe um pau de lascar Depois agarro meu home Nem dexo ele se explicar"
Mas adiante um rapaz Contava a sua aventura Dizendo: Amigo estou bem Estou com uma criatura Que jurou me sustentar Pois é rica e tem cultura"
O outro então respondeu: Amigo tenha cuidado! Pois vida de gigolô Nunca tem bom resultado Quando ela encontra um mais jovem Você é logo trocado
Mas quando isso acontecer Já terei aproveitado O que ela me oferecer Aceitarei de bom grado Mas meu gordo pé de meia Já estará bem guardado"
E haja papo daqui E haja papo de lá E a fila quilométrica Nada de se acabar Quando de repente ouvi Outra história começar
"Depois que fiquei viúva Meu filho veio pra cá Desempregado e com filho Bebendo pra se daná O pió foi que descobri Que ele deu pra roubar
"E cadê a Mulher dele ?" A amiga perguntou. Disseram que a maldita Muita gaia lhe botou Com um velho caminhoneiro Que pra longe a levou"
Lá à fila dos idosos Uma senhora chegou Pediu pra ficar na frente Porém ninguém concordou Ela disse: estou bem doente Pensem nisso por favor...
Houve um grande falatório Um cidadão se alterou Dizendo; "eu também sou velho E doente também estou Se você ficar na frente Eu juro que também vou"
A senhora bem tranqüila Muito educada falou "não precisa confusão Fiquem calmos, por favor Que eu já estou indo pra fila Não está aqui quem falou"
Pra encurtar a história Pra confusão aumentar O gerente muito calmo Se propôs a anunciar Que neste exato momento O sistema saiu do ar
Aí todos se agitaram Muitos sentaram no chão Um homem falou pra mim Com uma cansada feição É isso que acontece Com o pobre nesta nação.
Um boy falou: isso é nada Já estou acostumado Quando eu sair deste banco Noutro o lugar tá guardado E quando eu sair de lá O dia tem terminado
Com o Salário que ganho Não devo me apressar Quem corre cansa, amigo E eu não quero me cansar E aqui é tão divertido Nem vejo o tempo passar"
Depois de 15 minutos O sistema então voltou Novamente a longa fila Aos poucos se arrumou Depois de quase duas horas Foi que minha vez chegou
Assim que fui atendida Eu saí dali pensando No jeito que aquela gente Suas histórias iam contando Sem tomar nenhum cuidado Com quem estava escutando
Não foram somente essas As histórias que escutei Daquela gente humilde Nas horas que ali passei Apenas só foram, essas As que mais me interessei
Se observar os que contam As histórias engraçadas Você vê que são pessoas Alegres, bem humoradas Capazes até de fazerem Sisudos darem risadas
Imaginem como seria O tédio de se ficar Esperando numa fila Sem ter onde se sentar Sem ouvir um comentário Ou uma história popular.
CRÔNICAS (1)
MAL-ENTENDIDO
Kika Coutinho
O ambiente é que não era propício para a conversa. Eu culpo o ambiente.
Estávamos na aula de hidroginástica. Música de fundo, na água, e um professor que gritava:
— Vamos lá, pessoal! Subindo esse joelho, abrindo os braços, força!
Não era para termos começado um diálogo, mas quem começou foi ela, então isso também está a meu favor.
— Nossa, estou superdolorida da depilação.
Ops, aí toda a confusão se deu. Eu ouvi a senhora de touca cinza dizer isso. Que estava dolorida da depilação. Achei um bocado estranho o comentário, e precisei de uma aula inteira para notar que ela tinha dito outra coisa. A frase correta era: “Nossa, estou toda dolorida da musculação”. Pois bem. Com a água, a música e os berros do professor, eu entendi depilação e prossegui a conversa assim:
— Puxa, é mesmo, que chato, né?
— Ai menina, fiz ontem, e tá doendo horrores.
Nossa, ela fez depilação ontem e ainda tá doendo. Deve ter ido em um fundo de quintal, cruzes. Perguntei:
— Você fez onde?
— Aqui mesmo — ela informou, me apontando a sala de musculação da academia.
Fiquei surpresa. Na academia agora faziam depilação, e deviam usar uma cera vagabunda ainda por cima. Aão os tempos da Kaliuga, viu?
— Aqui? Aqui faz?
— Você não sabia? Faz e é ótimo!
Ai tadinha, o conceito de depilação ótimo dela tava bem ruim.
— Sei...
— Você devia fazer uma vez. Ia gostar.
Qual era agora? Ela tava me achando peluda? Olhei de soslaio pra minha axila. Mas eu fiz definitiva, como a mulher tá me sugerindo que preciso depilar?
— Vamos lá pessoal empurra a água com força, chuta, chuta, chuta.
— Você faz sempre? — perguntei já com raiva.
— Três vezes por semana.
— Três vezes? — tomei um susto! Como alguém faz depilação três vezes por semana, Jesus? Ai, ela deve ter alguma disfunção hormonal, coitada. Eu já fui até me afastando daquela senhora, achando que os pêlos iam crescer ali mesmo, na piscina. Por isso ela tava sugerindo pra eu fazer, claro.
— Ah, mas precisa. Principalmente por causa do braço — ela apontou para o próprio braço, naquele pedaço meio muchibento, e eu já imaginei a axila a la Tony Ramos que ela devia ter, não quis nem olhar direito.
— Braço, perna e virilha, né? — respondi, erguendo o joelho na água.
— Vamos lá pessoal, força no joelho, correndo na água, força, não perde o ritma, tá acabando!
— Virilha?! — dessa vez foi ela que se assustou. Ai, meus sais! A bicha depila 3 vezes por semana e agora vem me dizer que nunca fez uma virilha cavada?
— É, virilha. Nunca fez, não?
— Não — ela disse, meio sem graça. — É bom, é?
— Nossa, é ótimo. Devia experimentar — ela se empolgou com a minha resposta e chegou mais perto, perguntando em tom de segredo:
— Mas faz alguma diferença, assim, na hora H?
— Ah, claaaaro —– eu me fiz de entendida. — Faz sim! Fica bem melhor, vai por mim!
A senhora ficou com as bochechas rosadas, mas sorridente. Opa, dei um upgrade no casamento, pensei, me achando um pouco.
A aula está acabando:
— Vamos lá, pessoal, esticando bem o braço, espreguiça e soooolta. Muito bom, obrigada, até quinta.
Palmas na piscina...
Eu já ia saindo da água, quando ela falou:
— Vou falar hoje mesmo com o meu professor.
— Como? — perguntei, sem entender qual era o tema agora.
Ela, com um sorrisinho alegre, me explicou:
— Vou falar hoje mesmo com o professor, aqui da academia, sobre essa tal musculação na virilha. Não vou perder essa não.
A senhorinha ainda me deu uma piscadela, se embrulhando na toalha e saindo, toda serelepe em busca da grande novidade que eu lhe informara, tão inocentemente.
pe360graus.com lança concurso cultural Leitura Abre Portas
Incentivar a leitura e o interesse pela cultura pernambucana entre as crianças e jovens. Esse é o objetivo principal do concurso cultural Leitura abre portas, promovido pelo portal pe360graus e pela Globo Nordeste, com apoio da Secretaria de Educação do Governo do Estado de Pernambuco.
O concurso é simples. Para participar, basta deixar sua imaginação tomar conta e preparar um texto com o tema Leitura abre portas e cadastrar no site www.pe360graus.com/leitura. A história deve ser escrita no estilo da literatura de cordel. A participação é exclusiva para os jovens leitores de até 17 anos. O autor do melhor cordel ganha um notebook e a oportunidade de ter a sua história em um comercial da TV Globo Nordeste.
O site oferece várias ferramentas para o autor personalizar o cordel do seu jeito, trocando as cores e os desenhos que vão compor a capa do seu livreto. Depois do cadastro, os textos são moderados por uma comissão e, por fim, são publicados no site, num grande varal virtual e colaborativo, onde todo mundo poderá ler os cordéis publicados.
O último dia para cadastro dos textos é 17 de novembro. Então não perca tempo, escreva um cordel bem bonito e interessante e publique no site. E se você conhece alguém que goste de leitura, divulgue o endereço do site e convide para participar!
Andar pelas ruas do Recife virou um tormento. Pelo "simples" fato da quantidade de buracos espalhados por todos os lados e, também, pelo fato da quantidade absurda de lixo. É quase impossível você andar em paz... não pela violência, mas pelos famosos BURACOS!
Esmeraldina Barreto da Silva, Casa Forte-Recife/PE
Att. O Boca no Trombone é um canal aberto ao público e não retrata, necessariamente, a opinião do blog.
Vou dar por iniciado Contando uma história quente... É desses causos que a mente Sempre faz ser relembrado. Um dia fui convidado A uma igreja do Senhor Pra conversar com o pastor Sobre a diabo que me atenta, Pois nem satanás agüenta Passar um mês sem amor.
No amor nunca tive sorte... Maria, minha muié, Não me faz mais cafuné E ainda diz: “prefiro a morte...” Deixou de ser do Sport Pra torcer pro Tricolor E ainda mais faz favor De dormir toda sebenta. Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Contei pro pastor o mal Que acontece em minha vida. Disse ele: “não tá perdida... Vá na Igreja Universal... Na quarta-feira, ao final Do culto arrebatador, Eu chamo pelo senhor Aí o senhor se apresenta.” Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Eu conversei com Maria Pra me acompanhar no culto Ela tomou por insulto... Só vendo minha agonia. Será, meu Deus, todo dia Que o fato é repetidor? A muié não quer calor... Na cama não se apascenta... Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Minhas mãos já calejadas De tanto sofrer assim E aquela danada ruim Não sabe das depenadas. As coisas desesperadas Chegam até sentir dor... Peço até pro Salvador: “Me arrume qualquer jumenta...” Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Mas fui lá pro culto orar Pra ver se Maria quer: “Que seja a minha muié... Que ela saiba me adorar...” Ao terminar de rezar Veio dizendo o pastor: “É o encosto cobrador E só sai se dar cinqüenta” Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Dei mil e cinqüenta conto Chega o pastor se benzeu... Começaram a rezar neu Depois disseram: “Tá pronto...” Me vali de todo santo E agradeci ao pastor.... Maria, mimosa flor, Tu hoje me experimenta! Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Não dava mais pra agüentar Meu casamento era lama. Quando eu dormia na cama Ela ia pro sofá. Aí era de lascá! Chega eu mudava de cor, Mas pra ser um vencedor Hoje eu lasco essa rixenta. Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Em casa quando cheguei Maria disse: “Meu homi, Meu gostoso tá cum fome?” Chega eu num acreditei. Peguei Maria, abracei, Dei um beijo encantador, Chega saiu um odor De um leve gosto de menta. Nem o satanás agüenta Passar um mês sem amor.
Mas tudo foi falsidade O beijo, o abraço apertado, Pra mim foi o resultado Zero a zero na maldade. Sabe qual foi a verdade? O meu anjo sedutor Fugiu com aquele pastor Levando os mil e cinqüenta E me fez essa nojenta Ficar um mês sem amor.
Poeta Felipe Júnior
- Adquira este cordel no Canto Sertanejo (Mercado da Madalena) ou no Shopping Boa Vista (Cantinho Cultural).
Leitores eu estava ausente Agora aqui cheguei E para o povo amigo Outra estória bolei E com imenso valor Neste caderno tracei
Embora pouca gente saiba Mas não é mentira não A discussão que se deu Com Roberto e Lampião São dois homens conhecidos Dessa nossa geração
Estava Lampião hospedado Na fazenda Potiguar E com um determinado tempo O prefeito do lugar Convidou Roberto Carlos Pra um show apresentar
Lampião sabendo da notícia Foi ligeiro esperar O cantor Roberto Carlos Afamado no lugar Que a convite do prefeito Viria para cantar
Quando foi chegando No meio da multidão Virgulino disse abram Que chegou o Lampião Quero falar com Roberto Para uma discussão
Roberto um pouco medroso Olhou calmo e sorriu Viu toda cabroeira Armados de fuzil Pois baixou a cabeça E fingiu que nada viu
Estava Lampião bem vestido A sanfona de lado E toda cabroeira Todos tocando xaxado Roberto disse é hoje Entrei numa errada
Lampião disse você Não é bom compositor Está fazendo música Que não tem nenhum valor Pense na juventude Que só fala de amor
Foi aí que teve início Uma grande discussão Do cantor Roberto Carlos Com o heroi Lampião Que teve seu nome escrito Nas cidades do Sertão
Roberto disse você É o terror do sertão O povo do mundo bôbo Lhe chama de Lampião Eu sou o negro gato Não gosto de claridão
Lampião disse sujeito Vou mostrar como se faz Sou respeitado no mundo Até pelo satanás Não respeito delegado Tenente nem capataz
Luiz Gonzaga chegou O nosso Rei do Baião E foi chegando muita gente Para ver a discussão Do cantor Roberto Carlos Com o bravo Lampião
Roberto disse bem calmo Essa vida é assim Sua conversa boba Não é papo para mim Se conversar muito Hoje mesmo dou-lhe fim
Corisco nesse momento Pensou em enforecer Lampião disse compadre Não precisa se mexer Que cabra igual a esse Pra ele não vou perder
Erasmo Carlos chegou E perguntou o que há? Lampião disse cachorro Reconheça seu lugar Desapareça imediatamente Se não vai me apanhar
Chegou o Trio Nordestino E também Maurído Reis Cauby Peixoto e Diana Waldick e Wanderley Todos acharam bonito O Lampião nosso rei
Roberto Carlos falou Discutir não dar certo Vou mostrar para vocês Que sou mais o "Roberto" Vou cantar uma canção Quero ouça de perto
Roberto Carlos pegou No seu belo violão Disse Lampião prepare-se Pra ouvir minha canção Você é rei do xaxado E eu dessa geração
Lampião então falou Vamos ouvir sua canção Se você cantar bonito Vai ganhar muito milhão Se não cantar direito Vai.entrar no cinturão
A mulher de Lampião A Maria Bonita Disse esse camarada Hoje não me faz fita Se não cantar direito Vai entrar na tabica
Roberto Carlos cantou "Ana" e "Pega Ladrão" Virgulino disse estas músicas Abalou meu coração Eu estou já chorando No meio da multidão
Candeeiro e Andorinha Aplaudiram as canções E disseram esse cara canta De cortar o coração Reconheça o valor dele Meu prezado capitão
Roberto Carlos canta "Eu te darei o céu" Lampião disse me lembro Da Fazenda Cascavel Quando eu estava com Maria passando a lua de mel
Lampião disse Roberto És cantor de primeira Pois agora eu canto Nossa Mulher Rendeira Essa é uma prova De uma brincadeira
O povo achando bom Tinha muita pessoa Uns de boca aberta E outros rindo à toa Os matutos disseram Quero que páia avoa
Roberto Carlos continuou Cantando seus sucessos Lampião disse isso aí Conheço os de perto Reconheço seu valor Camarada Roberto
Pra você eu digo o mesmo Meu amigo Lampião Reconheço seu valor Do Nordeste ao sertão Agora posso tranquilizar O meu pobre coração
Aí, eles conversaram Dos problemas atuais Da poluição e da guerra Coisas que não voltam mais Lampião disse Roberto Não gosto do satanás
Os dois se abraçaram E começaram cantar Roberto Carlos cantou O show já vai terminar Quisera que os leitores Pudessem estar por lá
Lampião disse agora Para eu finalizar Canto o meu xaxado E depois vou me mandar Desculpe-me seu Roberto Se vim lhe incomodar
R. Carlos disse: "Lampião Queria lhe conhecer" Mas por sorte do destino Aqui fui comparecer E você teve a ideia De vim de perto me ver!
Eu contei esse fato Sem nenhuma timidez Foi uma simples estória Conto era uma vez Transformei em prosa E escrevi pra vocês.
IVAN MARINHO
BARROQUILHAS*
Nas madrugadas insones Sinto o tropel de chegada, Sem ordem, desarrumadas, De palavras, letras, nomes.
Balançam, saltam, deslocam Sem ritmo ou direção E da inquietação Algo parece que evocam.
Todas de tanto maduras Encontram-se a se encaixar, Como que a despertar Do sonho que se inaugura.
Então se cruza o ensejo Com o anseio ancestral, Nivelando ao animal O instintivo desejo.
E preterindo o futuro, Faz da noite a luz do dia E a esfera, por magia, Amolece o papel duro.
Pois o papel do poeta É deixar claro o escuro
*Primeiro lugar no Festival Jaci Bezerra de Poesia, do Centro de Estudos Superiores de Maceió
CRÔNICAS (2)
QUEM MANDA SER ROMÂNTICA?
Felipe Peixoto Braga Netto
Se você ainda chora ou pelo menos se comove com certas canções, se você ainda olha, com carinho, para coisas obsoletas como a lua cheia, se você, ao conhecer certos locais incríveis, ainda pensa que irá lá um dia com seu amor, sinto muito, mas eu devo avisar: você está no século errado.
Século errado?! É, século errado. Peça o seu de volta, acho que se enganaram. Você é romântica, isso não se faz mais. Ninguém entende, é como falar chinês no Mineirão, vão olhar para você com perplexidade, talvez com pena.
Os séculos, minha amiga, mudam de idéia, mudam de roupa. O romantismo é uma roupa que não cabe mais. Fica apertada, a perna aparece, ou então fica lamentavelmente larga, grande, excessiva. Aliás, faz tempo que é assim.
Lamartine Babo, compositor que trouxe a música brasileira de volta ao caminho da simplicidade, era um romântico incorrigível. Depois de receber cartas inteligentes e bem escritas de uma jovem de Boa Esperança chamada Vera, tomou um ônibus para ir conhecê-la, embora ela tenha dito que o encontro pessoal não seria possível. Chegando na cidade, ninguém quis dizer nada sobre a identidade da garota, embora todos rissem misteriosamente ao desconversar. Disposto a desvendar o segredo, Lamartine se dispôs a conversar com a menos sedutora das moças presentes. Ela, então, revelou-lhe o segredo: a inteligente autora das cartas, por quem Lamartine estava apaixonado, era o irmão dela, professor de Latim.
Pior: toda a cidade sabia do caso, e se divertia às custas dele. O tal professor chegava a ler em público, no clube da cidade, as respostas enternecidas de Lamartine. Nem por isso o genial compositor perdeu o bom humor, censurando-se apenas: "Bem feito, Lamartine! Quem mandou ser romântico?"
O melhor é ser duro, seco, impassível. Nem faça cara feia, leitora, a culpa não é minha, é do século. Faça como aquele colunista sentimental do jornal. Conhece a história? Foi assim. Uma mulher, desesperada porque encontrou o marido com outra, escreveu para a coluna sentimental do jornal. O problema é que a coluna era escrita por um homem. Ela escreveu dizendo: "Pelo amor de Deus, me ajude! Estava indo para o trabalho quando meu carro, sem nenhum motivo, deixou de funcionar. Peguei um táxi e voltei para casa. Encontrei, perplexa, meu marido na nossa cama com uma aluna dele, de vinte anos. Por favor, me ajude!"
Resposta do colunista: "Deve ter sido falta de combustível ou a injeção eletrônica. Procure um mecânico."
1 Comentários:
Poeta Felipe Júnior
O teu blog é exemplar
Ele é igual a você
Poeta, espetacular
Foi muito bom outra vez
Poder vir te visitar
E melhor foi encontrar
A turma da Unicordel
Que na Quarta Literária
Fez um bonito papel
E o mais bonito da foto
É o poeta Ismael!!!
Você é um Menestrel
Na prosa e na poesia
E tem um blog perfeito
Carregado de energia
Só com pólos positivos
Onde o verso é irradia.
Parabéns poeta e um grande abraço.
Ismael Gaião
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